sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Grávida e desempregada.

   Quando engravidei, estava trabalhando em duas casas, as mesmas casas que comecei quando cheguei aqui. Até então, estes tinham sido meus únicos empregos, já trabalhava com as famílias a mais de dois anos, e me sentia como "parte da família" afinal, ajudava a cuidar das crianças e sentia um carinho muito especial por cada um deles.
   Logo no começo da gravides, contei as minhas patroas, na verdade elas até sabiam que engravidar estava nos meus planos a curto prazo. A princípio, elas também ficaram muito felizes por mim, e não demonstraram nenhuma reação negativa.
   Meus planos eram de trabalhar o máximo possível, para poder juntar algum dinheiro e ter uma reserva, afinal, já estava ciente de que aqui, não existe licença maternidade ou coisas do tipo, para quem trabalha em serviços informais. Quando cheguei no quinto mês de gestação, uma de minhas patroas me dispensou, me disse que ela precisaria de alguém para ajudar com as filhas, até pq ela também estava grávida, de gêmeos, e em breve eu também ganharia meu bebê. Fiquei bastante chateada, mas entendi, tinha consciência de que não poderia ficar até o último minuto e depois deixá-la na mão.
   Com esse acontecimento, meu salário diminuiu em média 70%, um valor muito considerável,    principalmente quando se espera um bebê. Ainda tinha outro trabalho, mas este era mais puxado, era uma casa grande, com três meninos e tinha de fazer faxina e cuidar deles ao mesmo tempo. Pouco tempo depois, minha segunda patroa diminuiu ainda mais os dias que trabalhava pra ela, dizendo que era pelo fato de o marido estar trabalhando em casa, e eu burra acreditei.
   Como mentira tem perna curta, logo percebi a verdade, e pesando tudo que estava acontecendo, e até por pedido de minha patroa, sai do segundo emprego. Em pouco tempo, quem tinha a semana toda cheia, passou a estar livre Todos os dias.
   Por algum tempo até insisti e fiz algumas entrevistas, mas me diz, quem quer contratar uma grávida? Não demorou muito para aprender que neste país, você tem valor, enquanto tem algo a oferecer.

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