sábado, 7 de novembro de 2015

Bebe a bordo.

   Ter filhos nunca foi uma prioridade em minha vida, sentia vontade de tê-los mas não era algo de primeira importância. Sempre pensei em estudar, aprender idiomas, conhecer outras culturas, então na verdade, não tinha tempo de pensar sobre o assunto filhos.
   Me casei bastante nova, havia acabado de completar vinte e cinco anos, já tinha terminado o curso superior mas dizia que queria esperar cerca de cinco anos para pensar em ter filhos. Pouquíssimo tempo depois de casada nos mudamos para este país, e com o passar do tempo, sentíamos cada vez mais falta de uma família, de uma criança para preencher o vazio que nos tomava. 
   Depois de uma conversa com meu esposo, decidimos ter nosso primeiro bebê, afinal, o desejo de ter filhos já falava muito alto em nossos corações. Deste dia em diante, paramos com todos os métodos contraceptivos e ficamos na torcida. Eu tinha alguma desconfiança que poderia levar algum tempo para engravidar, afinal, acreditava ter dois fatores "contra" mim: útero invertido e ter tomado pílula por vários anos.
   Logo no primeiro mês, quando tive uma resposta negativa, fiquei muito chateada, mas me conformei, afinal, era apenas o primeiro mês. O segundo foi um pouco mais frustrante, o terceiro então, chorei horrores, tenho muita dó do meu marido que teve que me aturar, achava que algo estava errado, que poderia ter dificuldades para engravidar, mil coisas ruins passando pela minha cabeça. No quarto mês de tentativa, saímos de férias, fomos para Miami, e me esqueci sobre o assunto.
   Meu esposo trabalha todos os sábados até a hora do almoço, e quando ele chegava em casa, costumávamos sair para dar umas voltas e fazer algumas coisas que precisávamos e não tínhamos tempo durante a semana, porém, por alguns finais de semanas seguidos, eu chegava em casa muito cansada, não aguentava parar em pé, e tinha de voltar pra casa para dormir. Também estranhei que estava sentindo uma fome fora do comum e passei a levantar a noite para ir ao banheiro, tudo muito estranho e fora do meu comum. 
   Não sei como, mas uma luz se ascendeu em minha mente e passei a desconfiar de que se tratava. Com dois dias de atraso do meu período, fui até a farmácia e comprei um teste de gravidez, já tinha alguma dúvida, mas queria a certeza. Fiz o teste e chamei meu marido para vermos o resultado juntos, não aguentava de ansiedade e em pouco mais de um minuto o resultado apareceu: Grávida! Eu levei um susto tão grande, senti meu coração gelar, mas ainda maior foi a alegria, meu esposo e eu nos abraçamos e mal podíamos acreditar que estávamos sendo tão agraciados por Deus.

(Continua)

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