segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Visitinha à emergência...

   Ainda no Brasil, ouvíamos falar muitas coisas a respeito dos EUA, coisas que me deixavam muito assustada na verdade. Acredito que entre as piores, estavam, que se um imigrante ilegal, tivesse um bebê no país, este poderia ser deportado e a criança, por ser americana, entregue para a adoção. E a outra, é que, nos EUA, nada é de graça, se você precisar de atendimento médico, você o terá, mas prepare-se, para pagar a conta você terá de vender um rim.
   Conforme o tempo foi passando, descobrimos que muitas das coisas que ouvimos no Brasil eram mentira, já deveria ter mesmo imaginado, como certos absurdos poderiam ter fundamento. Porém, confirmamos com algumas pessoas, a respeito das contas de hospital e realmente, ficar doente aqui, sem um seguro de saúde, é muito preocupante.
   Estava eu um belo dia em casa, não tinha trabalhado naquele dia, quando no meio da tarde, comecei a me sentir indisposta. Como todo e bom brasileiro, me auto mediquei, primeiro tomei um anti ácido, depois um comprimido para enjoo, em seguida alguns analgésicos e nada de me sentir melhor, muito pelo contrário, apenas piorava. Eu transpirava frio, estava com a roupa toda molhada de tanto transpirar, não tinha forças nem para me levantar da cama e pedir ajuda. Apenas peguei meu celular, que estava ao meu lado, e liguei para minha prima, que em um minuto estava em minha casa.
   Assim que ela chegou, checou minha pressão e açúcar, eu estava com febre e branca como papel. Mesmo tentando comer, nada parava em meu estômago. Esperamos alguns minutos, mas eu não melhorava, meus primos queriam me levar para o hospital, e eu resistia, já pensando na conta que poderia ser apresentada.
   Passado algum tempo, não tive opção, a dor em meu estômago só aumentava, e eu mal me sustentava em pé. Fui levada ao hospital às pressas. Quando cheguei no hospital, chorava muito, mas acredito que nem era tanto pela dor, mas por medo da conta. A primeira coisa que foi feito, foi um eletrocardiograma, fiquei meio sem entender, em seguida, medirão minha pressão e em poucos minutos, estava com um médico. Ele me examinou, fez várias perguntas e me disse que teria de fazer alguns exames. 
   Aquele dia passei mais de oito horas no hospital, tomei soro, fiz exames de sangue, urina, tomografia e muitas outras coisas. Durante o tempo em que esperava, a assistente social do hospital, veio falar comigo, colher informações, sobre seguro de saúde, que eu não tinha, e me pedir mais alguns documentos. Logo de cara falei: eu não posso pagar pelo atendimento!!! Não podia mesmo, não tinha condições para isso, e sabia que uma noite inteira em um hospital com todos aqueles exames, poderia me custar mais de $10.000,00 dólares. Ela me falou que colocaria isso na minha ficha e enviaria ao governo, e deveríamos esperar e ver que iria acontecer. Neste momento, mencionei a ela, sobre um cadastro que havia feito, em um programa do governo, recem lançado, e ela me disse que iria procurar meu nome no sistema. Só me restava orar e pedir a Deus, que meu nome fosse encontrado.
   Horas depois, o médico veio falar comigo, eu tinha uma gastroenterite viral, ou a tão famosa, virose.
   Fiquei muito feliz por não ser nada grave, mas ainda estava preocupada quanto a conta do hospital. Assim que sai, perguntei como funcionava, e eles me disseram, que caso tivesse que pagar algo, em alguns dias uma carta de cobrança chegaria em minha residência. Foram dias de angústia, cheguei em casa e revirei tudo, até encontrar o cartão que havia recebido do governo, para emergências, afinal, caso o hospital não encontrasse meu nome nos arquivos, eu teria algo a apresentar para eles.
   Graças a Deus, meus dados foram encontrados, e não foi necessário pagar nem mesmo um centavo. Fiquei tão aliviada, e também desmistifiquei a história de que aqui não existe atendimento sem seguro. Daquele dia em diante, passei a andar com o tal cartaozinho em minha carteira, e entendi o qual valioso era aquele cartão.
(Foto do arquivo pessoal)

1 comentários:

Joyce querida eu ja ouço coisas maravilhosas sobre a saude nos EUA, ninguém espera em fila, ninguem fica sem atendimento, tudo bem diagnosticado e rapido, =)

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