sexta-feira, 16 de outubro de 2015

1 ano de América

   Estávamos a poucas semanas de completar nosso primeiro aniversário na nova "casa", estávamos felizes, pois até ali, havíamos superado nossos medos, decepções, enfrentado o temoroso frio, aprendido a lidar com o preconceito contra os imigrantes...
   Nada mais que justo, festejar, meu marido e eu combinamos de sair para fazer algo diferente, em poucos dias comemoraríamos 1 ano nos EUA, 2 anos de casados e de quebra, era feriado do dia do trabalho, o último feriado do verão, este também fecha a estação, e com ele as praias, campings e etc. Uma família de amigos, nos convidou para acampar com eles, e achamos uma ótima ideia, afinal, eu nunca acampei antes, então por que não?! Consegui algum material de camping emprestado, barraca, já tinha colchão, e as demais coisas compraria em alguns dias, afinal, o acampamento seria quatro dias depois da data de comemoração. 
   No dia 27 de agosto de 2013, tinha trabalhado meio período, cheguei em casa mais cedo, aproveitei o tempo para relaxar e escolher um lugar legal para jantar com meu marido. Em um determinado momento, um familiar me chamou em uma rede social e foi direto e objetivo: Joyce, o Wellington morreu! Oi? Como assim? Minha visão escureceu, fiquei zonza por um instante, não conseguia nem raciocinar. No mesmo minuto liguei para o Brasil para confirmar a notícia, e infelizmente, meu primo, criado como um irmão, acabara de falecer, aos 26 anos de idade, vítima de câncer no testículo. Me lembro apenas de ter chorado a tarde toda, sozinha, sem saber que fazer, sem reação, sem acreditar em tudo que estava acontecendo, sem ter um alguém para abraçar.
   Muitas coisas já haviam acontecido desde minha saída do Brasil, minha irmã se formou na faculdade, minha melhor amiga se casou, e agora, meu primo, que tanto amava, tinha partido. Liguei para minha mãe, ela não teve a chance de me preparar para contar, fiquei sabendo quase que primeiro que ela. Foi uma sensação horrível, me sentia impotente, de mãos atadas, sem rumo.
   Naquela mesma tarde, fui buscar meu marido no trabalho, como de costume. Assim que cheguei e desci do carro, ele me perguntou que tinha acontecido, ele não acreditava, ficou branco como um papel. A triste notícia nos pegou de surpresa, sabíamos que ele se encontrava doente, porém, por ser um rapaz jovem, acreditávamos piamente em sua recuperação. Uma data que deveria ser de alegria e comemoração, se tornou o dia mais triste que vivi neste país até então. Não tinha mais clima para nada, nem jantar, nem acampamento ou o que quer que fosse.
   Me Recordo que demorei muito tempo, para criar coragem e fazer um telefonema para minha tia, mãe de meu primo, me sentia culpada por não poder estar por perto, para lhe dar um abraço, poder consolar e dizer o quanto a amo. Naquele dia aprendi, da maneira mais difícil, que quando optei por viver em outro país, optei por passar por situações muito dolorosas, que marcariam minha vida para sempre, sem poder fazer absolutamente nada.

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